quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Farsas

  Eu fugi da realidade. Escapei de mim mesmo quando não mais pude me suportar.
 Estava sozinho com as pessoas e sem elas. Estava sozinho mesmo quando estava comigo, e isto não é lá cousa de gente sã aguentar. Nunca fui companhia que se prezasse.
 Em castelos de areia que construí alegremente, depositei minha inocência quase tão pura quanto o mais suave dos silêncios. Com o mesmo esmero tornei minha obra prima uma piada de mal-gosto. Divirto-me rindo da infelicidade que fantasiei, e desgraçado que sou, é muito possível que seja mais feliz desta maneira.
 O quarto se fechou e o mundo é uma farsa: uma ilusão insossa, inodora, incolor e indigesta.
 O travesseiro confidente não é mais o fim do dia. É quando adormeço que acordo, quando choro sinto-me pleno, e para viver me mato aos poucos.
 É o cigarro aceso no cinzeiro a minha tristeza reprimida. O trago não me agrada os lábios, mas eu o mantenho ali, como se sua chama pudesse confundir os olhos do espectador e projetar alguma luz sobre mim.

2 comentários:

  1. abrindo o spyverse... em contagem regressiva, janela aberta, manhã azul, cada gole de tuas entranhas expressas em cada letra, invadem o meu ser-instante.

    "Dificílimo acto é o de escrever, responsabilidade das maiores.(...)" SARAMAGO.

    ResponderExcluir
  2. Ah, Mari, acho que o trago não vai te dar nenhuma luz. Quem te dá luz são seus amigos =]. Muita gente te ama e você sabe disso. Eu te amo e você sabe disso ! Quando for dar algum passeio pela night, me chama ! Dependendo de onde for, eu vou ^^ ! Nem que seja só pra te ver 8D !

    E vim te passar o endereço do meu novo blog 8D ! Leia e, se gostar, divulgue !
    http://nomecientificopsichopattiusmallukius.blogspot.com

    Beijos de quem te guarda no coração \o/ !

    ResponderExcluir